SEMPRE BRIOSA

Briosa... se jogasses no céu, morreria só para te ver jogar!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Manuel Machado? Não, obrigado!


Começo este texto informando que continuo com uma tremenda azia face ao que ontem sucedeu em Fátima. E é daquelas que demoram a curar.

Quiçá influenciados pelos ares locais os nossos jogadores optaram por ser uns verdadeiros anjinhos, oferecendo de joelhos (ou não fosse esse um local de pagamento de promessas) a passagem à próxima fase da nova taça da liga aos esforçados rapazes da terra. Um genuíno gesto cristão de puro altruísmo. Louve-se a generosidade.

Ironia à parte, após mais um fracasso mais uma onda de contestação generalizada - e perfeitamente legítima - se gerou no seio da sofredora massa adepta académica, tendo como alvo preferencial o "prof" Manuel Machado.

É um facto que a responsabilidade de mais um decepcionante resultado deve ser partilhada, não podendo JES nem os próprios jogadores alijar a sua quota-parte no fracasso, assobiando alegremente para o lado.

Quanto a JES, subscrevo a opinião daqueles que defendem que é no final do seu mandato que se deve avaliar o seu desempenho ao leme da nossa Instituição. Para isso temos o nosso voto. A menos que a voz da Justiça fale mais alto. Nesse caso...

Quanto aos jogadores, já lá iremos.

No que respeita a Manuel Machado, fui um dos que exultaram com a sua chegada porque me parecia um treinador competente, actualizado, metódico, e porque apresentava uma folha de serviço nada despicienda, parecendo ser o homem certo para a função. Puro engano!

A verdade é que, pese embora não ter sido ele o construtor do plantel da época passada, pouco ou nenhum rendimento extraiu do quadro de jogadores de que dispunha, tendo as exibições oscilado entre o sofrível e o inenarrável. Aliás, espero que JES saiba ser grato e que tenha aproveitado a recente ida a Fátima para agradecer a intervenção divina que nos salvou da despromoção.

Esta época o figurino é outro. Por muito que agora diga o contrário, Machado tem responsabilidades na elaboração do plantel, não se podendo escudar em argumentos dúbios. Se, como reclama, foi a direcção que procedeu è escolha e selecção dos atletas contratados, e se o técnico não via isso com bons olhos, então só tinha uma opção: dar um murro na mesa e demitir-se! Não o fez, pelo que agora qualquer queixume da sua parte sobre essa matéria só pode soar a ridículo e a desculpa de mau pagador.

Sou, por norma e princípio, defensor da estabilidade e avesso ao populista fenómeno do sacrifício de treinadores na praça pública, vulgo chicotada psicológica, mas creio que desta vez essa é mesmo a única saída que nos resta. Estamos a 4 dias do início do campeonato e ainda a tempo de arrepiarmos caminho e de sararmos as feridas que entretanto foram reabertas.

Argumenta-se que Manuel Machado - pese embora aquele discurso redondo e esforçadamente intelectualizado - é um treinador competente, não sendo boa solução o seu despedimento; nesse caso pergunto, utilizando como referência uma situação paradigmática:

Que milagre foi aquele que Jorge Jesus operou no Restelo, na época passada? Com um plantel dimensionado para a segunda liga, sob a nuvem negra de indefinições e de um baixo orçamento, com jogadores medianos, conseguiu chegar à Taça UEFA e também à final do Jamor, só não ganhando a taça por uma unha negra.

Temos menos estabilidade directiva do que aquela que os azuis tinham? Não!
Temos menos gente no estádio ou menos sócios e adeptos do que os azuis tinham? Não!
Temos um orçamento igual ou inferior ao de que os azuis dispunham? Não!
Temos menos jogadores, em quantidade e qualidade, do que os azuis tinham? Não!
Temos infraestruturas inferiores às dos azuis? Não!
Temos um treinador com menos voz de comando, sagacidade e traquejo do que Jorge Jesus? SIM, SEM DÚVIDA! E é precisamente aqui que reside toda a diferença.

Pois é, não há coincidências nem milagres, porque a verdade é apenas esta: quando um treinador tem mão nos jogadores e gosta do "cheiro" do balneário, quando percebe mesmo do assunto, quando tem capacidade para gerar empatia com os adeptos e com os dirigentes, quando assume frontalmente os erros que comete, não transferindo publicamente responsabilidades para os seus atletas, quando constrói um discurso mobilizador, até um grupo de "pernas de pau" consegue transformar numa bela equipa de futebol.
Tudo o resto é mera conversa da treta!

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