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Briosa... se jogasses no céu, morreria só para te ver jogar!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

"Académica - História do Futebol"

O antigo ministro da Educação, José Hermano Saraiva, defendeu a não repressão dos futebolistas da Académica, que, na final da Taça de 1969, se solidarizaram em campo com a luta dos estudantes da Universidade de Coimbra contra a ditadura.

O episódio é recontado no livro "Académica - História do Futebol", do professor do ensino secundário João Santana e do jornalista João Mesquita, que vai ser apresentado sexta-feira, às 18:00, na sala VIP do Estádio Cidade de Coimbra.

Das mais de 700 páginas da obra, quatro são dedicadas à final da Taça de Portugal disputada no Estádio Nacional, em Lisboa, em 22 de Junho de 1969, coincidindo com um momento de grande tensão política em Coimbra, em plena Crise Académica, com os universitários a contestarem nas ruas o regime de Marcelo Caetano.

"A final da Taça de 1969 - a quarta da história da Briosa - é, seguramente, a mais politizada de todas quantas se realizaram até hoje. A chamada crise estudantil desse ano está ao rubro e os jogadores da Académica estão com a luta dos universitários de Coimbra", escrevem os autores. A contestação da academia "poderia ter ganho um novo ânimo, caso a Briosa tivesse vencido", mas, "depois de ter estado em vantagem, a Académica deixa-se bater pelo Benfica", por 2-1.

Citando o jornalista Carlos Pinhão, de A Bola, Santana e Mesquita afirmam que a final do Jamor transformou-se "num dos maiores comícios de sempre contra o regime" de Salazar e Caetano, que seria derrubado em 25 de Abril de 1974 pelo Movimento das Forças Armadas. "No topo do Jamor, as bandeiras da Briosa e os cartazes de incentivo a esta alternam com dísticos onde se pode ler: 'Ensino para todos'; 'Melhor ensino, menos polícias', 'Universidade livre'", relatam, explicando que a direcção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) - então presidida pelo jovem aluno de Direito Alberto Martins, actual líder parlamentar do PS - "decidira aproveitar o jogo para dar visibilidade às suas reivindicações".

Em declarações à agência Lusa, João Mesquita disse hoje que a Académica "esteve em todas as lutas da academia", antes e depois de 1969, ano em que a Crise Académica "foi maior". "É natural que também as repercussões da solidariedade da Briosa, desta vez, tenham sido as maiores de sempre", acrescentou.

Este autor do livro "Académica - História do Futebol" frisou, no entanto, que em 1962 a Briosa "chegou a não aparecer a um jogo com o Beira-Mar", em Aveiro, também em apoio da contestação dos universitários. Poucos dias antes da final de 1969, face ao "luto académico" decretado em Assembleia Magna dos estudantes, José Hermano Saraiva escreveu ao presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano. No caso de "algum sinal de luto" por parte da equipa de Coimbra (cujos jogadores entrariam no estádio do Jamor com as capas negras sobre os ombros), o ministro da Educação defendia ser "mais sensato não reprimir, porque qualquer intervenção repercutiria em todo o público".

Se os estudantes recusassem "alinhar para o jogo", Hermano Saraiva, hoje apresentador de programas de História da RTP, tinha assegurado uma equipa de reserva, o Sporting, para jogar com o Benfica. "Para que os espectadores não tenham excessivas razões de protesto", justificava na carta ao sucessor de Salazar.

O livro de João Santana e João Mesquita será apresentado por Rui Alarcão, antigo reitor da Universidade de Coimbra, sócio honorário da AAC e da Académica (Organismo Autónomo de Futebol da AAC).

artigo em desporto.pt.msn.com

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1 comentários:

  • At 16:12, Anonymous Anónimo said…

    ola boa tarde, gostava de saber se me podem informar onde posso adquirir este livro, estou farta de procurar e nao consigi arranjar.

    muito obrigada
    o meu mail citalete@sapo.pt

     

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