SEMPRE BRIOSA

Briosa... se jogasses no céu, morreria só para te ver jogar!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Demasiada apatia resulta em derrota

U. Leiria, 3 - Académica, 1




Estádio Magalhães Pessoa, Leiria
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal)

U. LEIRIA

Fernando, Éder, Lukasiewicz, Éder Gaúcho e Laranjeiro; Arvid, Harison e Cadú; Toñito, João Paulo e Paulo César

Treinador: Vítor Oliveira

Suplentes: Rafael Fava, Patrick, Hugo Costa, Bruno Miguel, Faria, Dani e Ferreira

ACADÉMICA

Pedro Roma, Pedro Costa, Orlando, Káká e Vítor Vinha; Cris (Ivanildo), Paulo Sérgio, Tiero (Edgar) e Nuno Piloto (Luís Aguiar); Joeano e Lito

Treinador: Domingos Paciência

Suplentes não utilizados: Rui Nereu, Pedrinho, Berger e Miguel Pedro.

Golos: João Paulo (27 e 67 minutos), Laranjeiro (87 minutos) e Edgar (90 minutos).



A opinião de Domingos:

«Não era isto que estava à espera no regresso a Leiria, perder desta forma. Sabíamos que ia ser difícil, porque o adversário ia apostar tudo neste jogo.
Acabaram por ser felizes. Se calhar, tiveram hoje a sorte que lhes tem faltado nas outras partidas.
Entrámos melhor, tivemos ocasiões, mas o Leiria acaba por marcar, salvo o erro, no primeiro remate que teve.
Não reagimos da melhor forma e, depois, com o 2-0 o jogo poderia ter sido relançado se o auxiliar tivesse visto uma grande penalidade a nosso favor. Penso que foi um resultado muito pesado para a minha equipa, que não reflecte o que se passou.
Nem o Leiria foi tão superior, nem nós fomos assim tão inferiores. Antes pelo contrário, penso até que controlámos melhor a partida.»

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sábado, 26 de janeiro de 2008

U.Leiria-Académica

Convocados

Guarda-redes:
Pedro Roma e Rui Nereu

Defesas:
Pedrinho, Pedro Costa, Kaká, Orlando, Berger e Vítor Vinha

Médios:
Paulo Sérgio, Nuno Piloto, Cris, Tiero e Luís Aguiar

Avançados:
Miguel Pedro, Lito, Joeano, Edgar e Ivanildo

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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Próximo destino: Leiria!



Depois dos justos e brilhantes empates alcançados frente a S.C.Braga e Sporting C.P., a Mancha Negra organiza mais uma jornada para o apoio à nossa mágica Briosa, na busca da VITÓRIA no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria.

O jogo está agendado para Domingo dia 27 pelas 16h, sendo que a respectiva Viagem com Bilhete será de apenas 10 euros para sócios MN e de 15 para não sócios.

Apelamos assim a todos os Academistas e simpatizantes a sua comparência para o APOIO à nossa BRIOSA, na conquista dos três pontos.

As inscrições e informações adicionais podem e devem ser efectuadas na sede da claque, sito pavilhão Jorge Anjinho, de Terça a sexta com o horário das 15 às 19 e 21:30 às 24H. ou através dos telefones 936000633/917691086.

www.manchanegra85.com

A viagem está programada para o domingo, com saída pelas 13:30h do Pavilhão JorgeAnjinho.

Saudações Académicas,
Miguel Pedro - MNTours85
MANCHA NEGRA
Pavilhão Eng. Jorge Anjinho,
R/C Rua Infanta D. Maria
3030 -330 Coimbra
Email: MNTours85@manchanegra85.com
MNTOURS85

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Santarino ameaça


Luís Santarino, sócio da Académica identificado como um dos rostos da oposição ao presidente José Eduardo Simões, promoveu, nesta segunda-feira, uma conferência de imprensa na qual reafirmou a sua disponibilidade para se candidatar à presidência do clube [as eleições devem ter lugar em Abril], desde que lhe seja dada a oportunidade de saber, previamente, qual a real situação económico-financeira da Briosa.
«O noivo, antes de fazer o enlace, tem de conhecer a noiva. Solicitei, das mais variadas formas, e com bastante insistência, as actas das reuniões da Direcção, até porque este é um direito que me assiste estatutariamente», revelou o hipotético candidato a desafiar José Eduardo Simões (já começou a fazer contactos com vista à recandidatura) no próximo acto eleitoral.
Como essas actas teimam em não chegar à sua posse, Luís Santarino diz que irá «dar um timing» à Direcção mas, no limite, não hesitará em avançar para a via judicial, através de uma «intimação para um comportamento», que, em caso de lhe ser reconhecida razão, obrigará os actuais dirigentes estudantis a entregar os documentos em causa.
O associado académico acusa, desta forma, José Eduardo Simões de estar a impedir o surgimento da sua candidatura, para a qual diz já ter um programa e um grupo de pessoas que lhe dão totais garantias.

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Reforços já rendem



A Académica bateu hoje por 2-0, o Pandurii, equipa romena orientada pelo português Joaquim Teixeira, em jogo particular disputado no Estádio Cidade de Coimbra.

Os golos foram assinados pelos recém-chegados Edgar e Luís Aguiar.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

"Académica - História do Futebol"

O antigo ministro da Educação, José Hermano Saraiva, defendeu a não repressão dos futebolistas da Académica, que, na final da Taça de 1969, se solidarizaram em campo com a luta dos estudantes da Universidade de Coimbra contra a ditadura.

O episódio é recontado no livro "Académica - História do Futebol", do professor do ensino secundário João Santana e do jornalista João Mesquita, que vai ser apresentado sexta-feira, às 18:00, na sala VIP do Estádio Cidade de Coimbra.

Das mais de 700 páginas da obra, quatro são dedicadas à final da Taça de Portugal disputada no Estádio Nacional, em Lisboa, em 22 de Junho de 1969, coincidindo com um momento de grande tensão política em Coimbra, em plena Crise Académica, com os universitários a contestarem nas ruas o regime de Marcelo Caetano.

"A final da Taça de 1969 - a quarta da história da Briosa - é, seguramente, a mais politizada de todas quantas se realizaram até hoje. A chamada crise estudantil desse ano está ao rubro e os jogadores da Académica estão com a luta dos universitários de Coimbra", escrevem os autores. A contestação da academia "poderia ter ganho um novo ânimo, caso a Briosa tivesse vencido", mas, "depois de ter estado em vantagem, a Académica deixa-se bater pelo Benfica", por 2-1.

Citando o jornalista Carlos Pinhão, de A Bola, Santana e Mesquita afirmam que a final do Jamor transformou-se "num dos maiores comícios de sempre contra o regime" de Salazar e Caetano, que seria derrubado em 25 de Abril de 1974 pelo Movimento das Forças Armadas. "No topo do Jamor, as bandeiras da Briosa e os cartazes de incentivo a esta alternam com dísticos onde se pode ler: 'Ensino para todos'; 'Melhor ensino, menos polícias', 'Universidade livre'", relatam, explicando que a direcção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) - então presidida pelo jovem aluno de Direito Alberto Martins, actual líder parlamentar do PS - "decidira aproveitar o jogo para dar visibilidade às suas reivindicações".

Em declarações à agência Lusa, João Mesquita disse hoje que a Académica "esteve em todas as lutas da academia", antes e depois de 1969, ano em que a Crise Académica "foi maior". "É natural que também as repercussões da solidariedade da Briosa, desta vez, tenham sido as maiores de sempre", acrescentou.

Este autor do livro "Académica - História do Futebol" frisou, no entanto, que em 1962 a Briosa "chegou a não aparecer a um jogo com o Beira-Mar", em Aveiro, também em apoio da contestação dos universitários. Poucos dias antes da final de 1969, face ao "luto académico" decretado em Assembleia Magna dos estudantes, José Hermano Saraiva escreveu ao presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano. No caso de "algum sinal de luto" por parte da equipa de Coimbra (cujos jogadores entrariam no estádio do Jamor com as capas negras sobre os ombros), o ministro da Educação defendia ser "mais sensato não reprimir, porque qualquer intervenção repercutiria em todo o público".

Se os estudantes recusassem "alinhar para o jogo", Hermano Saraiva, hoje apresentador de programas de História da RTP, tinha assegurado uma equipa de reserva, o Sporting, para jogar com o Benfica. "Para que os espectadores não tenham excessivas razões de protesto", justificava na carta ao sucessor de Salazar.

O livro de João Santana e João Mesquita será apresentado por Rui Alarcão, antigo reitor da Universidade de Coimbra, sócio honorário da AAC e da Académica (Organismo Autónomo de Futebol da AAC).

artigo em desporto.pt.msn.com

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Aí estão os reforços!



Luís Aguiar e Edgar: dois jogadores cedidos pelo FC Porto até final da época, fazendo votos para que sejam verdadeiros reforços e que nos ajudem a fazer uma excelente segunda metade de época!

Juntam-se assim a Irineu e Pedrinho, esperando que a ausência de Hélder Barbosa - grande jogador a quem desejo o melhor - não venha a ser notada. Será bom sinal.

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domingo, 13 de janeiro de 2008

O pior jogo para Domingos



Domingos Paciência:

«É um ponto precioso mas acabámos por ser felizes na obtenção do golo.

Edgar e Leandro Lima? Ainda não há nada confirmação, são situações que estão a ser equacionadas e estamos a tratar para que fiquem resolvidas o mais cedo possível.

Desde que estou na Académica, foi se calhar o pior jogo que fizemos.

Hoje, temos que reconhecer que fomos felizes. Sentimos algumas dificuldades para acompanhar jogadores do Sporting, mas vamos continuar a trabalhar para sermos ainda melhores no futuro.»

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Abençoado minuto 93!

Académica, 1 - Sporting, 1



Fomos dominados na segunda parte? Fomos!

Deixámos que o Sporting assumisse o controlo do jogo? Deixámos!

Criámos poucas oportunidades de golo? Sem dúvida!

Mas a abnegação, o empenhamento, a capacidade de sofrimento e a atitude de não deitar a toalha ao chão foi decisiva, tal como havia sido no último jogo com o Braga, para que não perdêssemos este jogo e conquistássemos uma vez mais em cima do minuto 93 o golo que nos dá mais um valioso ponto.



Estádio Cidade de Coimbra
Árbitro: Paulo Batista (AF Portalegre)

ACADÉMICA

Pedro Roma, Nuno Piloto, Orlando, Kaká, Vítor Vinha, Pavlovic, Tiero, Paulo Sérgio (Pedro Costa, 55), Cris, Lito (Joeano, 64) e Hélder Barbosa (Ivanildo, 74).

Suplentes: Rui Nereu, Berger, Miguel Pedro, e Gyano.

Treinador: Domingos Paciência

SPORTING

Rui Patrício, Polga, Tonel, Ronny (Pereirinha, 74), Abel, Miguel Veloso, João Moutinho, Romagnoli (Farnerud, 78), Izmailov (Luiz Paez, 62), Vukcevic e Liedson.

Suplentes: Stojkovic, Gladstone, Adrien Silva e Celsinho.

Treinador: Paulo Bento

Disciplina: Cartão amarelo para Orlando (10 min.), Tonel (23), Romagnoli (51), Pavlovic (51), Polga (72)

Golos: Tonel (80 min.) e Pavlovic (90+3).

Ao intervalo: 0 - 0

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Vamos a isso!!!!!!

Domingos Paciência:

«O Sporting pode perder 3 jogos seguidos.»

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Académica-Sporting

Lista de convocados

Guarda-redes:
Pedro Roma e Rui Nereu

Defesas:
Markus Berger; Orlando, Pedro Costa, Kaká e Vítor Vinha

Médios:
Nuno Piloto; Paulo Sérgio, Pavlovic, Cris, Tiero, Miguel Pedro e Ivanildo

Avançados:
Gyano, Joeano, Lito e Hélder Barbosa.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Uma má notícia



A ida de Hélder Barbosa para o Dragão, numa lógica de regresso a casa que temos de aceitar, é uma péssima notícia, até porque depois da também saída de Filipe Teixeira, parece que estamos mesmo condenados a perder os grandes virtuosos do plantel.

Toda a sorte do mundo para o Hélder, e enquanto académico o meu agradecimento pela forma correcta, profissional e entusiástica como envergou a nossa camisola!

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Brasileiros na berlinda



Numa altura em que se avança com a forte possibilidade do brasileiro Edgar poder mudar-se do Dragão para Coimbra, em paralelo com a possível contratação de Jossimar, outro compatriota destes - Joeano - reitera a vontade de permanecer na Briosa:

«Tanto quero ficar, que aceitei vir para aqui. Agora se jogo cinco, dez ou mais minutos, é com treinador. Vou continuar a lutar, como sempre, respeitando os meus colegas e as decisões o técnico. É bom não esquecer que já fui suplente um ano com o Nelo Vingada e não pedi para sair. Além disso, sei que o mister conta comigo.

A Académica está a jogar bem e eu não posso ignorar isso. Quando se marca, fica mais fácil, ficamos com mais alegria e vontade, mas o essencial é trabalhar como tenho feito até aqui.

Não preciso de andar à porrada com os jornalistas para sair nos jornais [risos]. Não foi essa a educação que a minha mãe me deu e eu pretendo seguir os seus ensinamentos.

Em termos de colectivo, penso que a equipa actual é mais forte. A anterior tinha mais nomes. Nós só aprendemos aquilo que nos ensinam, se nos diziam para fazer aquilo [defender], íamos fazer o quê?»

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domingo, 6 de janeiro de 2008

Mercado de transferências

Até agora:

Entradas: Pedrinho (Varzim)
Saídas: Litos, Sarmento (Varzim)

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Não tivéssemos cometido alguns erros defensivos...

Académica, 3 - Sp.Braga, 3



Se descontarmos os nossos erros defensivos (uma vez mais!), as facilidades que concedemos, assim como algumas más decisões por parte da equipa de arbitragem, nomeadamente no lance do qual nasce o segundo golo forasteiro, diria a Manuel Machado que afinal o bacalhau sabe tão bem ou melhor do que a lagosta. Fica ainda a positiva atitude da equipa que nunca baixou os braços, mesmo vendo-se por duas vezes em desvantagem no marcador.

Sete pontos nos nossos últimos três jogos dão-nos a confiança de que também com o plantel convenientemente reforçado, por forma a erradicar algumas fragilidades, poderemos fazer uma segunda boa metade de época. Pena que as taças (da liga e de Portugal) já lá vão...

Estádio Cidade de Coimbra
Árbitro: Artur Soares Dias (Porto)

ACADÉMICA

Pedro Roma; Nuno Piloto; Orlando, Kaká e Vítor Vinha; Pavlovic; Tiero Ivanildo), Paulo Sérgio (N'Doye) e Cris; Lito e Hélder Barbosa (Joeano).

Suplentes: Rui Nereu, Pedro Costa, Ivanildo, N'Doye, Miguel Pedro, Gyánó, Joeano

Treinador: Domingos Paciência

SP. BRAGA


Paulo Santos; Frechaut, Paulo Jorge, Rodriguez e Carlos Fernandes; Roberto Brum e Stélvio; Jorginho, Vandinho e Wender; Roland Linz

Suplentes: Dani Mallo, Vítor Hugo, Anilton, Castanheira, César Peixoto, Jaílson e João Tomás

Treinador: Manuel Machado

Golos: Linz (21), Hélder Barbosa (43), Tiero (58), Jorginho (60), Linz (70) e Joeano (90+3).

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Simões em grande entrevista



José Eduardo Simões em discurso directo, no jornal O JOGO:

A academia é a menina dos seus olhos. Trata-se, na perspectiva da sua presidência, o culminar ou uma etapa de um projecto?

É o culminar de uma etapa de um projecto. Tal como numa Volta a Portugal ou então num campeonato, há com certeza um final, uma última jornada; até se lá chegar, há um conjunto de pontos considerados fundamentais - como chegar ao topo da Serra da Estrela. Esta pode considerar-se a etapa da Torre, e há mais para vir.

Da resposta pode deduzir-se que vai recandidatar-se à presidência da Académica?

Não pode deduzir nada. O que pode dizer-se é que houve uma candidatura há três anos, que apresentou um programa e que esse programa está cumprido quase na íntegra. Isto, para mim, é que é o principal.

Falando de etapas de um projecto, pressupõe-se que está ainda em execução e, como tal, necessitará de mais tempo...

Também é verdade. Mas o que pode inferir das minhas palavras é que, para mim como para outras pessoas, há a consciência de que a Académica não pode ficar-se só por isto. Há um conjunto de sonhos que devem ser planeados a tempo e horas e, a partir daí, seja por quem for - aqueles que estiverem em melhores posições - deve avançar e trabalhar para que esses sonhos se cumpram.

Quais são esses sonhos?

Um novo estádio, mais pequeno, com certeza que é um grande sonho. Valorizar o nome da Académica, em termos escolares, educativos, sociodesportivos, colocando-o no exterior: Angola, Moçambique, Macau, Cabo Verde; e também em Portugal, fazendo uma espécie de franchising de marca em termos desportivos, com novas academias, sobretudo ligadas à componente escolar.

É um bocado o regresso ao passado da vocação da Académica, promovendo uma espécie de globalização?

Académica é o nome que aparece mais vezes em Angola, em Cabo Verde e em Moçambique. Isso obriga a pensar de maneira mais coerente, que é: se há Académicas, então vamos tentar encontrar atletas de eleição, mas também que estudem. E que tenham condições para estudar desde o princípio. Portanto, não se trata de "franchisar" uma marca mas sim um conceito.

A academia que acaba de inaugurar é também uma aposta na formação?

A Académica tem que ter uma mística e, sobretudo, um ADN muito específico. Até agora, o recrutamento da Académica tem sido feito numa região relativamente delimitada, e não têm aparecido valores de elevado potencial. Por isso, pretendemos esta esfera de influência e ir à zona metropolitana do Porto, à de Lisboa, ao Alentejo, a zonas do interior, onde estão a aparecer jogadores, e trazê-los para cá. Já temos pessoas a trabalhar nessa prospecção a nível nacional. E também em Cabo Verde e Angola, embora aqui seja mais complicado, porque o mercado já está inflacionado.

A prospecção impõe o binómio jogador/estudante?

Não é, de facto, um exclusivo, mas funciona um pouco como excepção. Devo dizer que, neste momento, nos nossos juniores há sete atletas universitários; nos juvenis, há 20 que estão no 11º ou 12º ano. Há também alguns que não querem estudar e temos grandes dificuldades em ultrapassar essa falta de vontade de estudar e colocá-los no bom caminho, o que para nós significa uma aliança entre a componente cultural, educativa e a desportiva. Um bom desportista é, normalmente, uma pessoa inteligente. Na prática, queremos refinar o ADN da Académica e dar possibilidades a quem cá está de poder, também, crescer.

Alguma vez pensou viver um mandato tão complicado?No sentido pessoal?

Sobretudo... A minha vida e a das pessoas que me estão próximas foram muito afectadas. Passei e hei-de continuar a passar uma fase em que não me sinto bem, e penso que nunca mais recuperarei esse sentimento de uma pessoa plenamente convicta de que está a produzir o melhor do seu trabalho, do seu esforço, e ter o reconhecimento por isso. Estou, contudo, convencido de que nos tribunais conseguirei provar a minha inocência e que tudo o que fiz, fiz dentro da lei, sem ter cometido qualquer tipo de ilegalidade ou irregularidade ou seja lá o que for do género.

Hoje em dia, quem está no futebol, sendo acusado, é logo considerado culpado...

Vivo este facto de duas maneiras: uma favorável, mais relacionada com Coimbra, porque todas as pessoas que me conhecem, que conhecem a história da minha família, têm-me dado os maiores votos de encorajamento, a maior solidariedade. Agora, esse anátema, essa forma de pensar em termos públicos, foi negativo. Sinto que quem me queria atingir conseguiu o que queria. Porque, em termos públicos, naqueles que lêem jornais, que ouvem as notícias, acaba por ficar, no mínimo, a dúvida, e hoje em dia, principalmente no futebol, a dúvida é sempre no sentido negativo. Na dúvida, o réu é culpado.

Chegou a admitir a demissão e depois não o fez. Porquê? Essa imagem negativa do presidente pode afectar a Académica...

Eu considerei isso e escrevi uma carta de demissão, que poderia ser aceite pelo dr. Almeida Santos, presidente da Assembleia Geral. No entanto, todos os órgãos sociais, os sócios em geral com quem falava e a presunção de inocência que devo ter - e, já agora, a luta de uma vida que sei que vou ter agora para provar a minha inocência - levaram a considerar que devia continuar. Porque, às tantas, se não continuasse também era preso por ter cão e por não ter: se continuasse a Académica podia ser prejudicada; se não continuasse, então poderia estar a admitir a culpa e a Académica seria também prejudicada.

Desde o início do processo que clama pela inocência, mas o Ministério Público avançou com as acusações e vai ser julgado... Se está inocente, tem ideia das razões desta trama?

Tenho, e bem concretas. Em Tribunal, elas serão reveladas. Se forem provadas, como espero e acho que vão ser, poderão dar resposta cabal a essa pergunta.

São razões políticas ou desportivas?

Há mistura. E económicas, também.

Relacionadas com o crescimento da cidade de Coimbra?

Não. Relacionadas com situações de quem teria expectativas de fazer negócios não regulares e que, comigo, não pôde fazer. Mas não posso adiantar mais nada.
A Académica está, financeiramente, estável?

Desde que nos paguem aquilo que temos contratualizado, ou seja, desde que as receitas entrem, é um clube estável. A receita corrente e a despesa corrente equivalem-se e depois temos receitas extraordinárias que nos permitem fazer projectos como a Academia ou investimentos em atletas e ainda diminuir o passivo.

A Câmara de Coimbra ajuda?

As Câmaras, julgo que não só a de Coimbra, até pela Lei de Bases do Desporto, não podem dar apoio ao futebol profissional.

Podem dar à formação...

A Câmara de Coimbra dá apoios básicos. A Académica recebe 14 ou 15 mil euros por ano. Mesmo em relação ao Estádio Universidade Coimbra, julgo que pelo acordo deve dar-se os parabéns ao senhor presidente da Câmara. A Câmara ficou sem manutenção, sem conservação, sem gastos de qualquer espécie. E colocou um conjunto de obrigações ao próprio clube.

A manutenção do estádio é da responsabilidade da Académica?

Manutenção, conservação, limpeza, água, luz... A Câmara fez o melhor acordo, a nível nacional, para estádios municipais. Compare-se com Leiria, Braga - onde até o nome do estádio foi entregue ao clube -, Aveiro…

Já tentaram renegociar?

Os acordos existem, são cumpridos. Ou melhor, estranhamente, no acordo está que o estádio seria entregue ao clube devoluto e continua lá a funcionar, quatro anos depois, a divisão do desporto da Câmara.

Quais são as fontes de rendimento da Académica?

Publicidade, bilheteira, rendas de alguns espaços que vamos concluindo, porque o estádio foi-nos entregue em bruto.

A exploração do estádio é da inteira responsabilidade da Académica?

É.

É rentável?

O primeiro ano foi negativo. Nos últimos dois, existe equilíbrio.

O seu mandato, em termos desportivos, também não tem sido fácil...

O que tem sido difícil é pensar como é que é possível à Académica dar a volta à situação. Quando viemos para cá, com a presidência do dr. João Moreno, a Académica tinha passado, das 14 épocas anteriores, 12 na II Divisão. Isto cria hábitos terríveis, maus. Habituação de não ganhar, de estar na II Divisão, de não ter aspirações, não ter obrigação de vencer, não ter capacidade para ultrapassar adversidades. Isto é muito complicado de combater.

E existia um grave problema financeiro...

Era uma situação absurda. Quando aqui chegámos, todos os jogadores tinham cheques em seu poder que tinham sido devolvidos duas vezes pelos respectivos bancos. Havia o risco de a Académica acabar.

Os problemas financeiros estão resolvidos?

A situação está hoje estabilizada. Mas a questão fundamental, para nós, era conseguir criar a habituação de permanecer na I Divisão e, depois, ter outras aspirações.

Entretanto, passaram pela Académica treinadores como Artur Jorge, Vítor Oliveira, Nelo Vingada, Manuel Machado. Nenhum se impôs...

Tenho grande consideração por essas pessoas que citou, sobretudo Artur Jorge, João Carlos Pereira e o Manuel Machado e, em termos de adjunto, pelo Arnaldo Carvalho, que trabalhou com Nelo Vingada, e José Augusto, adjunto de Manuel Machado. Mas analisemos friamente o percurso de cada um nos últimos tempos: Artur Jorge praticamente deixou de treinar; Vítor Oliveira tem tido um percurso, sobretudo, na Divisão de Honra de sucesso, não tanto na I Divisão; João Carlos Pereira está no estrangeiro, a sua oportunidade agora passa pelo estrangeiro; Nelo Vingada também está no estrangeiro e não me parece que esteja com vontade de regressar a Portugal e enfrentar aqui desafios que são fortes; Manuel Machado, esse, sim, está de novo num percurso ascendente, no Braga. Diria que, dos cinco, apenas Manuel Machado terá, pela expectativa, tido um percurso de pouco sucesso na Académica.

Foram escolhas suas...

Bem, no Artur Jorge não tenho grande responsabilidade e mesmo com Vítor Oliveira. As minhas responsabilidades são, sobretudo, com os que vieram a seguir. Escolhi João Carlos Pereira porque conhecia bem a equipa, e conseguiu o objectivo que era a permanência; Nelo Vingada porque era um treinador que tinha um bom passado e pensávamos que se adaptaria bem à mística e à forma de estar da Académica, o que se verificou no primeiro ano, sendo uma desilusão no segundo. Não estou arrependido em relação à escolha que foi feita em nenhum deles, mas admito que os resultados não foram os melhores.

Manuel Machado, já nesta temporada, não terá saído cedo de mais?

Acho que, naquela altura, a equipa estava morta, não tinha capacidade de reacção. Tanto eu como ele verificámos que isso acontecia. Foi no momento certo, não podíamos esperar mais.

Vai o presidente oferecer reforços ao técnico na reabertura do mercado?

Com Domingos, a equipa reestruturou-se, ganhou alma, garra e qualidade de jogo. Reforços? Estão sinalizados. Há uma ou outra carência que vamos tentar suprir, dentro das nossas limitações orçamentais, porque essas não podem ser ultrapassadas.

Fábio Felício, Zé Castro, Dame três jovens que saíram a preço zero quando se esperaria algum retorno para a Académica. Porquê?

O Fábio Felício fugiu. A morada que nos dera, para onde mandámos cartas registadas com os cheques dos salários, não era real. Pôde sair para o Leiria de uma forma habilidosa, que é o mínimo que se pode dizer. Serviu-nos de lição.

Zé Castro...

Um ano antes de ir para o Atlético de Madrid, fui alertado de que ele já teria um acordo; se era verbal ou escrito não sei, mas existiria. Por isso, estar a dizer que podíamos fazer isto ou aquilo, é inútil, porque não podíamos competir com o Atlético de Madrid. Aliás, vou revelar algo que explica como as pessoas podem ser incoerentes ou pouco académicas na sua actuação. A namorada de Zé Castro, que era universitária, fez o pedido para o programa Erasmos - que tem que ser feito com sete/oito meses de antecedência - para um cidade europeia e adivinhem lá que cidade escolheu? Madrid, claro. Coincidência?

Dame...

Está em tribunal, na Comissão Paritária, vai para a FIFA e o facto de ele ter saído leva-me a dizer que há um senhor chamado José Peseiro que devia ter vergonha na cara e ser mais capaz de ter uma coluna vertebral direita. Para além do próprio atleta e de inúmeras pessoas que gravitaram à volta dele. Vou também aqui revelar um facto: havia um acordo entre a Académica e outro clube e o Dame, com reuniões marcadas para negociar com esse clube, garantindo que não tinha assinado nada com o Panathinaikos, acordou salários - na ordem dos 400 mil euros líquidos por ano. Comprometeu-se, tinha tudo acertado, ia assinar por esse clube mas não o fez, porque de repente desapareceu e apareceu noutro clube.

A transferência de Marcel para o Benfica, até por estar próximo, no tempo, com o início do processo de que foi alvo, deu azo a especulações?

Foi tudo claro.

Começou por ser transferência, depois transformou-se num empréstimo e, finalmente, concretizou-se a transferência. Nas informações que vieram a público, não tão claro assim...

Eu esclareci isso numa entrevista que dei à SIC. O negócio foi um empréstimo com obrigação de compra no términus do empréstimo. Considerámos que era mais vantajoso para as duas partes fazer essa modalidade. Porque, entretanto, o atleta ia ambientando-se no novo clube, já que na Académica estava acabado. Tinha comunicado que na Académica nem treinar queria, o que não seria admissível. De qualquer forma, gostaria de dizer que considero negativo que tenha havido contactos com o atleta quando era ainda jogador da Académica em pleno. Contactos em Coimbra...

Está a falar do Benfica...

Estou a falar de quem contactou e por conta de quem para a possível cedência. Foram contactos aqui, em Coimbra, com o atleta e o seu representante, de que nós tivemos conhecimento.

Ainda assim, fez o negócio...

Teve que ser feito.

Houve chantagem?

Para mim, houve.

Nunca tinha revelado isto...

Deixei, a seu tempo, alguns subentendidos. Dizê-lo assim, claramente, nunca o tinha feito.

O plantel profissional vai ter contactos com a formação?

Claro. E há uma coisa que gostava de implementar: que cada atleta sénior se responsabilizasse por outro da formação, o qual, uma vez por semana, duas por mês, convidava para ir para sua casa, por exemplo, para jantar, onde lhe explicasse um pouco do que é ser profissional, o que é ser uma pessoa culta, relevante, com capacidade de intervenção na sociedade.

Acha que o jogador de futebol, neste momento, é capaz de desempenhar esse papel?

Tem obrigação de ser. O Ronaldo não era o que é no Manchester United, se o Ryan Giggs não tivesse feito esse tipo de trabalho com ele. Nós temos, na Académica, atletas capazes de perceber isso. Um Pedro Roma, um Nuno Piloto, o próprio Litos, enquanto cá esteve. E, quando refiro estes três, posso multiplicar isso por quatro ou por cinco em atletas capazes desse desempenho. Aliás, isto é algo que pretendo implementar a curto prazo. É importante que os jovens percebam que, aos 18 anos, ganhar quatro ou cinco ordenados mínimos não é sinónimo de poder deixar de estudar.

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