SEMPRE BRIOSA

Briosa... se jogasses no céu, morreria só para te ver jogar!

sábado, 2 de janeiro de 2010

"COMPARAÇÃO QUE ME HÁ-DE SEMPRE PERSEGUIR..."


Pertence à nova vaga dos treinadores portugueses. Anos a fio fiel escudeiro de José Mourinho, no FC Porto, no Chelsea, no Inter, a carta de alforria de André Villas-Boas e a aposta como técnico principal da Académica de Coimbra, em Outubro, não gerou indiferença. Pelo contrário, até o envolveu como hipótese de substituir Paulo Bento no Sporting.

Razões bastantes para a sua primeira grande entrevista, agendada há várias semanas. Num compromisso escrupulosamente cumprido agora, André Villas-Boas revela objectivos, concepções de futebol, princípios dos quais não abdica.

Provocação logo a abrir: fez um longo "estágio" com José Mourinho. Tardou a chegar agora à emancipação...

Estágio não é a palavra certa, penso. Para uma profissão atractiva, pode estar implícita a aposta cega no cargo de treinador principal - e não foi o que fiz. Quando fui convidado pelo José Mourinho para integrar a sua equipa técnica sabia exactamente para que funções e tentei sempre desempenhá-las com a máxima eficácia.


O desejo de emancipação é legítimo. A verdade é que se dizia há muito tempo que estava a preparar-se para "dar o salto"…

Sim, mas não queria que fosse mal interpretado. Nunca escondi de ninguém o meu sonho - muito menos de Mourinho. No período em que estive ao seu lado sempre lhe fui cem por cento leal e sempre mantivemos uma relação aberta. O timing que ambos decidimos para a minha saída foi comunicado com algum tempo de antecedência, de tal modo que ele se acautelou com a entrada de um elemento [José Morais] para a sua equipa técnica que começasse a garantir a qualidade de trabalho de que ele necessita e pretende.
Agora: obviamente tive a oportunidade de trabalhar com aquele que eu penso ser o melhor treinador do mundo - conceito que na minha opinião valoriza a frequência com que se ganha.


O melhor do mundo define-se pelos resultados, é isso?

Na minha óptica, sim. Mas não só. Também pela capacidade de obter resultados em vários sítios. Não tenho a menor dúvida de que após o período de Itália ele sairá para Espanha ou para Inglaterra e continuará a ter o sucesso que tem tido e teve antes em Portugal e na própria Inglaterra. A frequência com que José Mourinho ganha é invulgar; torna-o de facto único.


A vossa relação continua intensa? Normal?

Sim, sim. E é uma relação que me permite agora entender muitas coisas que antes não percebia nele, desde reacções a insatisfações, momentos de angústia. Há tantas coisas boas nesta profissão, não obstante o peso da responsabilidade, que só mesmo estando-se nela é possível perceber uma série de reacções que o José Mourinho tinha para connosco - e tenho pena de só ser capaz de entender agora.
Por exemplo: as vivências vitória-derrota, a adrenalina de uma semana de trabalho, a ânsia antes e pós jogo, o modo como influi na nossa vida o que se passa ao longo da semana, tudo isso tem um peso nas nossas vidas. Esta é, sem dúvida, uma profissão bastante exigente.


Há um facto incontroverso: pelo perfil genético, pelo modo como se apresenta, é visto como um clone de Mourinho. É um clone?

Acho que não. Mas estou seguro de que essa comparação vai perseguir-me o resto da minha vida. Tenho uma personalidade completamente diferente da de Mourinho, embora, obviamente, queira vencer, construir o meu sucesso. Sou uma pessoa mais tranquila, de assentar mais nos projectos. Aprecio muitas outras coisas na vida para além do futebol. O facto de não viver só para o futebol tem um peso importante na minha vida.
Estarei talhado para ser visto como um clone, o que refuto, até porque estou seguro de que Mourinho continuará a acumular uma quantidade de sucessos de que não me aproximarei nunca. Estou longe de pensar em ganhar o número de títulos que ele já ganhou.
Espero ser um bom treinador e capaz de construir uma carreira que venha a ser apreciada. Mas não viverei este cargo com ambição desmesurada. Prefiro ter os pés bens assentes na terra e construir um futuro passo a passo, apreciando cada uma das etapas.


Nuno A.

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